domingo, 22 de abril de 2012

Ulkopuolinen

      Jogando The Lord Of The Rings Online, atingi a bonita Forochel, território mais ou menos baseado na Finlândia.

                                        Sotis curte a aurora boreal em Itä-Mä.

                                                              Sigrdrif em Korkea-Järvi.


      (Aliás, as únicas utilidades de ter estudado Finlandês até agora foram entender os nomes que a Nokia dá pras coisas e os nomes de TUDO em Forochel!)

      Todo questgiver que encontrei me chamava do mesmo jeito: sivullinen. Hoje eu estava com isso na cabeça e fui procurar no Suomi Englanti Suomi Sanakirja (Dicionário Finlandês-Inglês) que a querida Bia me trouxe da sua última incursão pelas Terras Geladas do Norte.

sivullinen (sivulta katsoja) bystander, outlooker; (ulkopuolinen) outsider
Sivullisilta pääsy kielletty Unauthorized personnel keep out; No trespassing/admittance

      Fiquei meio admirada com a perfeição com que isto se ajusta ao meu momento de vida. A tranferência de local de estudo, que fisicamente deve ser menor que 1 km, está sendo um choque que eu não imaginava. A primeira impressão que tive, e foi muito nítida, no meu instituto de origem, foi de aceitação e agregação. Eu era 'um deles', eu sempre tinha assunto, eu me divertia infinitamente.
      Mas o lugar para onde vim... diz-me várias e várias vezes, das mais diversas formas: "Sivullisilta pääsy kielletty!"

      E só não entro em detalhes sórdidos pra não dar baphon! Hahahahahahah

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

E no ano do fim do mundo...

...eu vou começar tudo de novo.

Física e astronomia são fascinantes. De tentar entender Cálculo a descobrir que somos feitos de pó de estrela, a jornada é emocionante (desculpem pela pieguice, mas é!). O problema é que às vezes a emoção que se sente é raiva ou frustração.



(Clica que aumenta!)


Eu me lembro direitinho da primeira vez em que pensei em largar a Física. Foi no meio do primeiro semestre, em que minha melhor nota em prova era 3.9! Eu estava cansada. Além do desgaste óbvio de ir morar em São Paulo (mesmo sendo a bolha Cidade Universitária, já que eu morava quase colada na USP), eu estava sendo obrigada a me virar com a minha comida e subir a Rua do Matão todo dia por causa da greve. Foi num dia muito cinzento em que, ao sair pra aula, percebi que chuviscava e eu tinha deixado roupas no varal ao ar livre. Volver! Recolhi tudo e quando acabaei já era tipo 8h. Pra que chegar 40 minutos atrasada? Resolvi matar a primeira aula. Subi pro quarto, chorei loucamente e dormi até meio-dia.

Acho que desde então eu nunca estive 100% certa de que Física era pra mim. Eu não entendia como que eu me ralava tanto, estudava das 8h às 20h e ainda assim não dava! Até que fui pegando o jeito do curso, mas mesmo assim não deu tempo: a primeira grande paulada na cabeça veio. Era fim de semestre e meu aniversário de 18 anos. Mesmo fazendo a substitutiva de Cálculo I, eu não tinha nota suficiente pra ir pra recuperação (para ser mais exata, faltaram três décimos). Aí passei óleo de peroba na cara e fui pedir por favorzinho ao professor que me deixasse fazer a prova assim mesmo. Sendo ele um russo pouco familiarizado com o jeitinho brasileiro (eu acho), até que fez cara de dó, mas disse que não havia como. Que as notas já estavam no sistema.
O bom desses institutos de cursos majoritariamente masculinos é que os banheiros femininos são bem vazios. Só assim pra ninguém ter me visto chorando. Fiquei arrasada; honestamente, até hoje não me recuperei direito disso.
(Mas deu pra perceber que eu choro por qualquer coisa, né?)

Uma reprovação dá mais dor de cabeça do que parece à primeira vista. Além de atrasar o curso, você será condenado a incompatibilidades horárias bizarras até o fim da graduação (a não ser que você esteja ok com fazer 2 matérias por semestre - mas mesmo que você esteja será jubilado nesse ritmo). Por causa disso teve semestre em que eu tinha aula de manhã, à tarde e à noite. Não todos os dias cheios, mas por exemplo: manhã e noite na segunda, tarde e noite na quinta...

Eu sou teimosa e queria pagar pra ver. As matérias legais vinham mais pro fim do curso: quântica, relatividade, cosmologia, partículas... Admito que minha empolgação diminuiu quando fui ouvindo de várias pessoas que estas matérias são famosas por reprovar quase a turma toda, sempre.

Aí eu comecei a iniciação científica. Eu estava ardendo de curiosidade! Queria demais ver mais de perto a pesquisa. Creio que dei sorte com o meu ex-orientador: sempre achei nítido que ele adorava o que fazia. Arrisco-me a dizer que ele é um dos pesquisadores mais dedicados do IAG. Ainda assim a pesquisa acadêmica revelou-se bem diferente do que eu imaginava! Fiquei um tanto frustrada percebendo que eu mais programava (ou melhor, tentava programar) e analisava dados do que, sei lá, entrava em comunhão com os mistérios cósmicos. Entre outras coisas, faltava-me embasamento teórico, que eu (acho, porque nem isso sei agora) teria na pós-graduação. Mas eu estava disposta a esperar até lá?

Pós-graduação. Eu passaria uns seis anos ralando naquele Instituto de Física pra chegar no mestrado e com alguma sorte conseguir uma bolsa de o quê?, 800 reais? O governo trata a pesquisa como se fosse uma piada. Eu acho que alunos de pós-graduação e professores deviam ganhar melhor. Até onde sei, um professor com doutorado entra na USP ganhando pouco mais de 5000 reais. O quê??? O sujeito estuda por uns 10 anos (digamos, 5 graduação + 2 mestrado + 3 doutorado, e acho que estou chutando baixo), sustentando-se por todo este tempo com bolsas que o Estado age como se fossem esmola, pra ganhar 5000 reais por mês?
E não venham com esse papinho imbecil de "ele sabia que era assim quando entrou, se quisesse dinheiro que fizesse engenharia". É dessas pessoas, na minha opinião, que depende o desenvolvimento tecnológico do país - e a formação de novos pesquisadores! Penso que se investíssemos mais nos nossos pesquisadores não precisaríamos importar tanta tecnologia, mas agora falo do que não entendo muito bem.
Ah! Mais uma coisa, que para mim não foi decisiva mas definitivamente incomoda: alunos de mestrado e doutorado não são levados a sério. Pelo menos quem conheço sempre conta que ouve coisas como "mas você não tem vergonha de não trabalhar com essa idade?".

Um último momento de epifania no curso foi em junho do ano passado, em que eu fazia uma prova de Física Matemática I. Lá pelas tantas foi-me pedido que eu calculasse a propagação de calor numa placa infinita. Quase virei a mesa e fui embora, sério. Eu acho que o fato de a placa ser infinita na verdade facilitava o exercício, mas naquele momento de estresse de fim-de-semestre aquilo me pareceu ultrajante. Foi pra isso que eu entrei aqui? Pra passar o resto da minha vida numa sala com computador e ar-condicionado, gastando tempo calculando contas colossais sobre coisas que não existem?
Novamente eu estava desconsolada. Mas sou teimosa e disse para mim mesma: "Eu só preciso parar um pouco. Nem nas férias eu me permito descansar! Fico fazendo coisas da IC, estudando para recuperações..." Eu só não tinha como parar. Tinha uma recuperação de Cálculo III pra estudar.

Aí o acaso obrigou-me a parar. Na primeira semana de aulas de agosto do ano passado eu consegui torcer o pé - o mesmo pé que torci em 2009. Eu não conseguia andar e fiquei uns 15 dias com tala. Eu percebi que as coisas já estavam erradas ao ponto de não haver mais conserto quando eu fiquei feliz por não ter como ir pra aula. Normalmente eu era uma aluna muito coxinha que ficava entediada nas férias, mas desta vez eu queria era mandar tudo às favas! Tive que me obrigar a parar de esconder de mim mesma: eu não aguentava mais.

O processo de trocar de curso é bem triste, eu acho. E falo não só por mim mas por vários amigos da Física que trocaram - aliás, dizem por aí que bacharelado em Física é o curso com a maior taxa de evasão da USP! Sim, crianças, eu faço parte da estatística! O ponto é que todos pareciam tão satisfeitos... não houve um que não me disse enfaticamente que foi a melhor coisa que fez na vida.

Mas então, se não era Física, o que eu ia fazer da minha vida? A Fuvest já estava chegando; eu tinha que decidir logo. Fui por eliminatória, seguindo mais ou menos estes passos:

-Exatas nunca mais.
-Sempre tive pavor de biológicas.
-Eu sempre gostei de literatura... podia fazer letras! Conversei com uma amiga da Letras que me deixou bem claro: se você não quer carreira acadêmica passe longe daqui!
-Eu tinha vagas ideias de fazer Relações Internacionais no colegial. Não sabia muito bem o que fazia mas parecia bonito, sabe? Aí eu pesquisei um pouco mais e percebi que o mais próximo do que eu ACHAVA que era RI na verdade é... Relações Públicas! Aí dei uma boa fuçada nas carreiras de Comunicação Social (Publicidade e Propaganda, Jornalismo e Editoração, a saber). Confesso que de cara pensei em prestar Publicidade, mas quase caí de costas com a concorrência. Relações Públicas seria então. Um pouco depois eu percebi que RP tinha muito mais a ver comigo e com o que eu gostaria de fazer do que PP, que hoje penso ser uma profissão glamourizada demais. (Reconheço aqui que eu não sei nada de nada sobre este assunto!)

E é isso aí. Estudei sozinha com as apostilas de cursinho que um querido amigo da Astronomia emprestou e passei em 5º lugar na USP! Quase não acreditei quando vi. Eu estava sem esperanças de passar!
É claro que nem tudo são flores. O medo do desconhecido assombra - e desta vez eu sei muito melhor do que na primeira que eu não sei picas de nada do que se trata o curso que escolhi. (Na verdade ninguém entra sabendo direito do que se trata, mas por algum motivo todo o mundo vai tão prepotente pra faculdade... Chegam achando que já sabem tudo.) Além disso, lá no fundinho eu ainda me sinto meio loser - digamos que é como se o Capitão Nascimento tivesse me falado "PEDE PRA SAIR!!" e eu tivesse respondido "Sim, senhor!".
Eu não sei mais nada. Vejamos o que me aguarda.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Estranha no ninho

Fazer faculdade em São Paulo, a maior cidade da América Latina, e ser caipira da gema, natural de Cerquilho - SP, invariavelmente leva à dualidade. Se estou cá, tenho saudades de lá. E vice-versa.
Logo que eu vim pra cá eu fiquei me achando um pouco, sabe? É que eu era muito sangue de barata... Deixava as pessoas me falarem a merda que elas queriam e ficava quieta. Mas sei lá, ter sido capaz de passar na USP (na UUSSPP) - ah, a supervalorizada, deificada, USP! - e vir morar sozinha aqui com 17 anos me fez melhorar minha opinião sobre mim mesma. Confesso que à época não me ocorreram coisas como "mas puxa vida, eu passei raspando num curso pouco concorrido" ou "mas que sorte a minha, mamãe e papai bancam e eu não preciso trabalhar". Com 17 anos é o máximo ir pra faculdade mais deificada do Brasil e me virar sozinha em São Paulo. Agora eu rio da minha empolgação...
Além disso, eu me encantei com a diversidade cultural aqui. Foi uma experiência única na vida ir pra um lugar em que eu tinha com quem conversar e me sentia à vontade, e não uma freak metida a nerdona. Por todas essas coisas, declarei meu amor inabalável à cidade grande.

E como se não bastasse, o interior começa a dar-me motivos para odiá-lo. Vai parecer um momento #classemediasofre mas na minha concepção é tudo verdade. EXPERIMENTA fazer faculdade pública (ainda mais a salve salve USP!) e dizer isso a quem sempre te conheceu no interior. As reações são de fazer pensar, no mínimo. Em dois meses de faculdade eu comecei a só dizer que estudava em São Paulo, deixando nas pessoas a vaga e satisfatória ideia de que eu estudo em alguma particular desconhecida. E para ilustrar, contarei um causozinho ou dois.

Eu tinha um colega de escola, muito bom aluno, que estava prestando um curso bem mais concorrido que Física. Ele não passou por muito pouco e foi pra Fatec. Aí, no final do meu primeiro ano, eu estava numa balada (!!! longa história) quando encontrei ele e a namorada. A primeira coisa que ele me diz é:

-E aí, mulher, quando você vai publicar um artigo? Eu já estou publicando com a minha orientadora, que ALIÁÁÁÁS tem doutorado na USP!

Fiquei tão estupefata que não sabia nem o que responder. Primeiro porque no meu mundo só publica artigo na graduação aluno muito aplicado, no último ano, logo antes do mestrado e olhe lá. Ainda por cima, o meu orientador - olha só! - também tinha doutorado na USP. Mas como a maioria dos professores com quem tive aula ou travei conhecimento na USP, ele tinha pós-doutorado no exterior (Cambridge no caso dele). Não se enganem, caros leitores (leitores?), eu fiquei com vontade de delicadamente atirar um desses fatos - como se atira uma luva de pelica convidando ao duelo - à face do meu ex-colega. Mas afinal, para quê? Para reforçar a lenda de que aluno de faculdade pública se acha a última coca-cola gelada do deserto?
Fiz cara de árvore e placidamente concordei com tudo. E aí vem a cereja do bolo, o que achei mais engraçado no incidente: a namorada dele ficou com pena de mim.

-Aiii, amor, não faz assim com ela, coitadinha... A área dela deve ser mais difícil mesmo!

E pra segurar o riso, como faz?

Tinha esse cara também que estava um ano na minha frente no colégio. Acho que ele era meio traumatizado porque o irmão mais velho dele era uspiano e ele não conseguiu passar. Bem, ele queria engenharia, que é super difícil também. No fim ele foi cursar engenharia numa particular em Sorocaba... E eu achava um barato que ele não podia me ver online no MSN que já vinha perguntar: "E aí, como estão as coisas na faculdade?"
Eu sempre fui honesta pra qualquer um que perguntasse isso. E dizia: estou me ralando pra passar nas matérias. E o cara começava: "Aaaaaaaah, eu não tiro menos que 8,5 nas matérias, eu sou um aluno muito bom..." Velho, velho! Faz Cálculo I da Física com Ivan Chestakov e depois conversa comigo, ok?

Só mais esse:um filho de um amigo da minha mãe estava precisando de ajuda com 'matemática'. Ele estava, assim como eu, no primeiro ano - só que de Ciências Contábeis na UNIMEP. Eu achei que as mães tinham se confundido e que na verdade ele precisava de ajuda com Cálculo! Lá fui eu, toda solícita, com o Guidorizzi na mochila. Qual não foi minha surpresa quando constatei que o guri não sabia matemática de 5ª série! (Ele não sabia que se f(x) = x² + x etc. pra obter f(2) ele tinha que enfiar o 2 no lugar dos x. Sério.) Enfim. Eu o ajudei com a lista de exercícios dele e acabei tendo que ficar um pouco na casa dele enquanto minha mãe ia me buscar. Aí começam os desaforos:

-É verdade que vocês de faculdade pública são tão pobres que não têm dinheiro pra comprar carteiras e têm aulas sentados no chão?

Sim. Isso mesmo. Aí eu quis ser engraçadinha e tirar uma com a cara dele. Apreciem meu fracasso retumbante:

-Imagina! A gente não pode levar essas lendas tão a sério. Veja você, eu mesma ouvi esses dias de um aluno de faculdade particular que viu seno de x sobre cosseno de x, cortou x com x, s com s e ficou en sobre co!

Ele me olhou com a mais bela cara de tacho. Duh - pensei para mim mesma - o bocó não sabe que sen(x)/cos(x) = tan(x)! É isso aí. Ele não entendeu que eu estava fazendo piada.

Já que estou falando disso mesmo, acho que vale comentar a lenda de que aluno de faculdade pública é tudo pobre. Pra passar naquele vestibular muitos tiveram que pagar bons colégios e cursinhos, né? Tenho colega que estudou no famoso Bandeirantes em São Paulo (pesquisem a mensalidade do Band, amores!) Claro que, felizmente, entram muitas pessoas menos favorecidas financeiramente - embora, tristemente, sejam minoria. A propósito, não vejo mérito em ser """rico""" com 18 anos. Com essa idade, meu bem, você não construiu patrimônio nenhum; o carro e as roupas de grife que você ostenta mamãe e papai trabalharam pra te dar. E mais: não vejo vergonha em ser """pobre""". Pra mim uma pessoa que se esforçou pra passar numa faculdade pública tem muito mais mérito do que alguém que ganha tudo de mão beijada dos pais - mas é claro que essa opinião me favorece, não é?

Voltando ao assunto (esse post vai ficar grande!). Esse tipo de reação (que, no caso de pessoas mais polidas, resumia-se a olhar-me com desconfiança - é, muita gente reagia à notícia de que eu estava na USP como se eu fosse uma mentirosa salafrária) fez-me gostar ainda menos de ir ao interior. Honestamente? Quando vou, pra visitar a família, eu fico o menos tempo possível pela rua e rezo para não encontrar conhecidos. É sempre meio esquisito...

Então é isso. Odeio o interior e amo a capital. Certo?

Não.

Eu não consigo não gostar do lugar em que nasci. Lá no fundo, eu amo aquela gente simples e sem malícia, trabalhadora e esforçada, eu amo a terra roxa (que na verdade é vermelha) de que meus ancestrais tiraram sustento, a cidade bonita e pacata - e até aquele jornal de Cerquilho que só tem classificado e quem morreu, nasceu, casou, fez aniversário - tudo em fotos, coloridas para os mais abastados - e, claro, uma sessão em que os cidadãos brincam de ativismo político e descem o sarrafo na administração da cidade. Eu GOSTO de poder abrir a carteira na rua sem pensar em ser assaltada.
All in all, o que me chateia mesmo é a mentalidade estreita e tacanha. A meninA saiu de casa e foi fazer curso de homem? Que escândalo!


Uma observação: eu falei o post inteiro da divinização da USP porque eu acho que as pessoas têm uma imagem muito errada dela. É um lugar NORMAL, com pessoas NORMAIS. Eu só diria que lá é mais fácil achar alguém com um parafusinho solto. E eu não conheci ninguém lá que me tenha parecido "burro". Espíriro de porco? Tem, de monte. Mas uma coisa que aprendi na vida é que espírito de porco tem em todas as etnias, credos, classes sociais e sexos.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Chubby




Alguém me disse, há uns meses, que eu era parecida com uma tal Adele. Botei esse nome no google e vi que era uma cantora - que saiu na capa da Vogue e da Rolling Stones, entre outras. E canta pacaraleo. Mas tudo o que eu consegui pensar quando a vi foi "eu tô gorda assim?".

Tem noção? Depois que caiu a ficha que me disseram que eu parecia com alguém que foi capa da Vogue - e então percebi que tinha alguma coisa errada acontecendo. Será que eu sou uma ingrata? (Ah, não podia perder a piada: sou uma ingrata com o patriarcado. Admito.) Daí eu comecei a lembrar de coisas que eu vejo as pessoas dizendo por aí. Tipo, eu li uma reportagem sobre a Tara Lynn (modelo plus-size) em cujos comentários o macharedo bobageava: ah, se perdesse umas 15 lb ficava gira (devia ser um site portugês de notícias). Ah, do pescoço pra cima é bonita.

Quem colocou isso nas nossas cabeças? Porque não pode ser bonita e ter, digamos, gostosura em excesso? Tá bom, pra não generalizar, admito que vi e ouvi muitos homens dizendo que adoram uma cheinha.
Acho tão, tão rude e pointless ficar dizendo que tá gorda, que ficaria linda mais magra, etc. Não que eu seja imparcial - ouço uns comentários bem na maldade sobre meu corpo desde criança. Até de pessoas próximas (tipo minha mãe). Talvez por isso eu fique incomodada quando vejo as pessoas apontando o dedo para o que elas acham - como é? - aesthetically unpleasing. (Tirei essa expressão de um texto sobre Mike & Molly, em que a autora dizia achar "aesthetically unpleasing" ver uma pessoa obesa fazendo qualquer coisa, até andando pela sala.)
Tolerância, galera! O belo, pra mim, é o exótico. O exótico, pra mim, é o diferente, fora do comum.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Guerra ao Terror

É isso aí, um post sobre a PM no campus da USP. Porque todo o mundo deu seu pitaco e eu vou dar o meu também.

Tá certo que o campus não é lugar pra acender baseado. (AI MAS LUGAR NENHUM É, PORQUE É ILEGAL NÉ TAMIRES??! É. E desde quando ser contra a lei impede as pessoas de fazer?) Tipo, é meio que um lugar público, onde você pode ser pego e eventualmente criar caso. Mas eu não me sinto mais segura na USP porque a PM 'pegou' 3 alunos fumando maconha. Primeiro porque nunca me senti ameaçada por algum usuário. Segundo porque isso não resolveria o 'problema' - quero dizer, vão passar meses e meses prendendo pessoas se quiserem, sei lá, erradicar o orégano do campus. Terceiro porque... a PM está lá, se não me engano, desde que invadiram a reitoria e a nossa querida (só que ao contrário) Suely botou a PM pra dentro (greve de 2009). E desde então nós, os alunos, continuamos sendo assaltados, baleados e voltando pra casa com o c* na mão depois que escurece.

Eu vejo o campus como uma parte da cidade de São Paulo e, como tal, deveria ter tanta PM lá quanto no resto da cidade. Nem mais nem menos. Honestamente, tanto faz, porque eles realmente não ajudam em nada na segurança (ou alguém já viu PM tipo, na saída do mercadinho às 23h?). Mas também não atrapalham, atrapalham? Só acho bobagem a galera aí fazendo manifestação a favor. A PM já está lá!! E eu penso que o nosso querido (só que ao contrário) Rodas não precisa do apoio dos alunos pra mantê-la. (ironia on Aliás, quem precisa de graduação na USP, né? ironia off)

Much ado about nothing.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Nhém hém nhém

/main~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~(*algoútil*)~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~(*algoútil*)~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~fim/

Calma, eu (ainda) não despiroquei.

Acima está a melhor representação que pude imaginar da minha visão de mundo ultimamente.
Parece-me que faz parte das dores de crescer matar seus heróis - perceber que eles, assim como você, são apenas humanos! E isso mudou, para sempre, meu jeito de encarar os discursos. Porque antes eu valorizava os longos e altissonantes troloris que os "profetas" distribuíam por aí. Sério, só eu levei a sério gente que sabia tanto quanto qualquer um do assunto, só porque a pessoa parecia que acreditava em si mesma? Tem dó.
E agora estou assustada com a perspectiva de levar minha vida baseada quase que somente em minhas pesquisas e opiniões. Acho que a humanidade é mesmo uma grande boiada que precisa ser conduzida, hahaha... Sinto que todos têm medo disso. E cada um se agarra, como pode, a algo que pensa que é sólido, numa tentativa débil de manter um chão sob os pés.
Uns, ao seu Deus. ("Seu?" Uma vez ouvi uma citação, que infelizmente não sei dizer de quem é, que dizia: O mundo gira em torno de um espantalho ao qual chamou Deus. Seu Deus é como a água: adequa-se a qualquer recipiente.)
Outros, às suas posses materiais.
Alguns, à imagem narcisística que fazem de si mesmos.
E por aí vai... (a.k.a. inspiração, KD?)

sábado, 25 de junho de 2011

Segurança no Campus (?)

Então. Eu sei que estou bem atrasada neste tema, mas é que demoro pra formar opinião sobre as coisas...

Fiquei pensando naqueles panfletinhos que a gente ganhou na USP sobre segurança no campus depois do infeliz incidente na FEA. Porque eles fazem parecer que a culpa é NOSSA! Entre as recomendações, figuravam: "Não vá ao seu carro sozinho" e "Não ande pela USP sozinho". Será mesmo que quem redigiu isso pensa que é fácil ficar arranjando amiguinho pra te escoltar pra cima e pra baixo? Ou eles vão disponibilizar um membro da Guarda Universitária pra prestar este serviço a cada um de nós?

Ouvi gente falando: "Também, o que ele queria? Estava sozinho no estacionamento da FEA às 10 da noite!" É. Talvez porque fosse o horário em que ele estudava lá. E também porque não tinha outro local e horário pra entrar no carro e voltar pra casa.

Por que não fazem panfletinhos dizendo: "Sr. Ladrão, por favor pare de roubar e vá fazer algo produtivo da vida"? Porque a culpa é sempre da vítima. Ciclista atropelado? Jogou-se contra o carro! (Porque tudo o que o ciclista quer da vida é atrapalhar quem anda de carro, né?) Mulher estuprada? Estava vestida como uma vadia! (Aí sim!) Foi assaltado? Deu mole.